O que encontrar do outro lado da esquina... uma luz, um amor, um sonho, um silêncio, um verbo ou uma conjunção que conecte dois mundos?



sábado, 31 de dezembro de 2011

O Reino Oculto

Muito fundo, num poco de águas claras há um reino quase esquecido, onde habitam peixes dourados, cavalos marinhos, tartarugas azuis, ostras peroladas e sereias feiticeiras, todos muito pequeninos, quase invisíveis.

A sereia Rainha mora com suas irmãs e seus súditos pescadores no Palácio de Corais e Cores, sem portas fechadas, com muitas janelas abertas atravessadas pelos olhares de tubarões amarelos, guardas do reino. O palácio tampouco tem teto, para que as sereias possam receber constantemente as luzes do sol e das estrelas marinhas.

Todos são bem-vindos ao palácio, onde acontece uma vez por mês o evento mais esperado do pequeno mundo aquático: o baile das sereias. A banda das baleias toca canções borbulhantes que envolvem os golfinhos dançarinos e os outros convidados. Ninguém consegue ficar parado! No baile, a Rainha costuma entoar seu canto sereno e apaixonado, dedicado ao seu amado Poseidón, o deus dos mares.

O poço do nosso sítio sempre recebe uma chuva de moedas, porque a gente grande pensa que lançando-as na água, as sereias vão recolhê-las e em troca vão trazer presentinhos do reino perdido, tesouros de navios afundados. Gente grande não entende os mistérios do poço, não sabe que todos os domingos ensolarados as sereias nadam até a superfície e cantam muito alto com suas vozes agudas e mágicas, atraindo para si os pássaros. Suas mãos estão quase sempre cheias de moedas e as sereias as distribuem entre as gaivotas, pombas, andorinhas, cegonhas, que as levam em seus bicos para as crianças pobres de outros mundos quase esquecidos.

Eu e meu irmão fazemos barquinhos de papel, que pendurados num barbante, navegam nas ondinhas do poço. Brincamos de ser marinheiros e todos os domingos de manhã esperamos ouvir o doce canto da sereia Rainha, que desperta os anjos que voam junto a outros pássaros.


El Reino Oculto

Muy hondo en un pozo de aguas claras hay un reino casi olvidado, donde habitan peces dorados, caballos marinos, tortugas azules, ostras perladas y sirenas hechiceras, todos muy pequeñitos, casi invisibles. La sirena Reina vive con sus hermanas y sus súbditos pescadores en el Palacio de Corales y Colores, sin puertas atravesadas por las miradas de tiburones amarillos, vigilantes del reino. El palacio no tiene techo, para que las sirenas puedan recibir constantemente las luces del sol y de las estrellas marinas.

Todos son bienvenidos al palacio, donde ocurre una vez por mes el evento más esperado del pequeño mundo acuático: el baile de las sirenas. La banda de las ballenas toca canciones burbujantes que envuelven delfines bailarines y los demás invitados. Nadie puede quedarse parado! En el baile, la Reina suele entonar su canto sereno y apasionado a su amado Poseidón, el dios de los mares.

El pozo de nuestra finca siempre recibe una lluvia de monedas, porque la gente grande cree que lanzándolas al agua, las sirenas las recogerán y le traerán regalitos del reino perdido, tesoros de navíos hundidos. Gente grande no entiende los misterios del pozo, no sabe que todos los domingos soleados, las sirenas nadan hacia la superficie y cantan muy alto con sus voces agudas y mágicas, atrayendo a los pájaros. Sus manos están casi siempre llenas de monedas y las sirenitas se las dan a las gaivotas, palomas, golondrinas, cigüeñas que las llevan en sus picos a los niños pobres de otros mundos casi olvidados.

Mi hermano y yo hacemos barquitos de papel que penden de un bramante y navegan en las olitas del pozo. Jugamos a ser marineros y todos los domingos por la mañana, esperamos oír el dulce canto de la sirena Reina que despierta los ángeles que vuelan junto a otros pájaros.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Cordão Umbilical



Palmas das mãos
pombas negras
pó de séculos
força, luta, candura
teu corpo num punho
o tempo num punho
o destino num punho

corte
cordão umbilical

silêncio de sílabas
escapam da boca
do peixe pela boca
escapam borboletas

corte
exaltação

o sol expira
a lua inspira
a alma fumaça
que aspira o céu
a pele cinzas
que traga o mar

corte
natureza

línguas de ondas te acariciam
léguas de azul te darão
o ameno caudaloso rio,
cuja margem de pétalas de rosas
é o tapete macio 
dos teus pés cansados




quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Cordón Umbilical



Palmas de las manos
palomas negras
polvo de siglos
fuerza, lucha, candor
tu cuerpo en un puño
el tiempo en un puño
el sino en un puño

corte
cordón umbilical

silencio de sílabas
escapan de la boca
del pez por la boca
escapan mariposas

corte
exaltación

el sol expira
la luna inspira
el alma humo
que aspira el cielo
la piel cenizas
que traga el mar

corte
naturaleza

lenguas de olas te acarician
leguas de azul te regalarán
el ameno caudaloso río,
cuya orilla de pétalos de rosas
es la alfombra suave
de tus pies cansados






sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Origami

dobra à esquerda, amor ou desamor!
dobra esquinas como se
dobrasse cartas vespertinas
"como sim querer-te?
como não dobrar-te?
tu partes, amante de papel"

fica com o silêncio, a calma
"tua ausência nos incensos de almíscar
a fumaça corta a luz corta a sombra"
encolhida no teto de uma alcova
apaga o cigarro, é noite escuridão
(cenário: ele, ela, eu)

toma um trago traga a ausência
lençóis de aroma de pele amada, esgotada
dobras de um vestido de seda
"dá ao tecido a nudez palpitante
da tua carne, cobre meu corpo
sim, se nos convém"
suave toque que dobra um dia
criando alvoradas com café amargo
(o amargo adoça o paladar)

dobra o orvalho sobre pétalas de olhos
lágrimas à flor de seus olhares
costumava dobrar o deserto do seu rosto
oferecendo-lhes diferentes máscaras
uma árvore, uma saudade, borboletas
aspiradas por narinas voadoras
"sempre, quase sempre me enlouquecem"
no chão os retratos
páginas em vermelho mosaico de lembranças
lenços de despedida em preto e branco
(dobra o caos berço do nada)

dobra caminhos encontrados
paralelas rasgando o infinito
dobra as horas e passa a sorte
dobra o equilíbrio embriagado dos seus passos
que fogem que voltam que tentam
matar-se mas não sabem mas não podem
"nos matam as palavras pouco a pouco"
(ama o azul, deitada em sua margem)

o álcool destilado em suores
em salivas que banham os orgasmos
dobras de lua cheia testemunha de quando
às vezes o coração se agachava
e se escondia no fundo do abandono
do amor e do desamor

tocam os sinos abre a porta
ele volta
fica!
"e tu me amas outra vez
caio na corda bamba entre teus lábios
fazem vibrar o mar nascente
para sempre tu és, entre minhas pernas"

seu corpo se desdobra
desemboca dentro de seu ventre
ele é dele, ela é dela
ambos são poesia prazer na fuga
dobravam sonhos com o vento
guardavam beijos de canela
debaixo do colchão de nuvens
cavalgavam caldas de cometa
"é que tu dobras minhas arestas
lambes e afilas meus agudos ângulos
um passarinho de papel em branco
encarcerado na destreza das tuas mãos"

brinca com suas asinhas de abutre livre
e escreve na sua pele seus contos matutinos
(aqui ficam com o amor e desamor
gostam de brincar de êxtase e de calma)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Origami

dobla a la izquierda, ¡amor o desamor!
dobla esquinas como si
doblara cartas vespertinas
"¿cómo sí quererte?
¿cómo no doblarte?
te vas, amante de papel"

se queda con el silencio, la calma
tu ausencia en inciensos de almíscar
el humo corta la luz corta la sombra"
acurrucada en el techo de una alcoba
apaga el cigarrillo, es noche oscuridad
(escenario: él, ella, yo)

toma un trago traga la ausencia
sábanas de aroma de piel amada, agotada
pliegues de un vestido de seda
"dále al tejido la desnudez palpitante
de tu carne, abriga mi cuerpo
sí, si nos conviene"
suave toque que doblaba un día
creando alboradas con café amargo
(el amargo endulza su paladar)

dobla el rocío sobre pétalos de ojos
lágrimas a flor de la mirada
solía doblar el desierto de su rostro
regalando diferentes máscaras
un árbol, un olvido, mariposas
aspiradas por narinas voladoras
"siempre, casi siempre me vuelven loca"
en el suelo los retratos
páginas en rojo mosaico de recuerdos
pañuelos de despedida en blanco y negro
(dobla el caos cuna de la nada)


pliega caminos encontrados
paralelas rasgando el infinito
pliega las horas y pasa la dicha
pliega el equilibrio embriagado de sus pasos
que huyen que vuelven que intentan
matarse pero no saben pero no pueden
"nos matan las palabras poco a poco"
(ama el azul, acostada en su orilla)


el alcohol destilado en sudores
en salivas que bañan los orgamos
pliegues de luna testigo de cuando
en cuando el corazón se acurrucaba
y se escondía en el fondo del abandono
del amor y del desamor

toca el timbre abre la puerta
él vuelve
¡quédate!
"y vuelves a amarme
me caigo en la cuerda floja entre tus labios
hacen vibrar al mar naciente
para siempre eres, entre mis piernas"

su cuerpo se desdobla
desemboca dentro de su vientre
él es suyo, ella es suya
ambos son poesía placer en fuga
plegaban sueños con el viento
guardaban besos de canela
debajo del colchón de nubes
cabalgaban colas de cometa
"es que me pliegas las aristas
lames y afilas mis agudos ángulos
una pajarita de papel en blanco
encarcelada en la destreza de tus manos"


juega con sus alitas de buitre libre
y escribe en su piel sus cuentos matutinos
(aquí se quedan con amor y desamor
les gusta jugar al éxtasis y a la calma)





segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Amuleto de Afrodite

Para pintar meus olhos
Com a cor dos teus sonhos
Que me fazem prisioneira

Para pintar as unhas
Com a cor do ocaso
Que queima a calma

Para pintar os lábios
Com a cor do orgasmo
Que flama as almas

Para pintar a pele
Com a cor da brisa
Que acaricia os montes

Para pintar o cabelo
Com a cor das flores
Com aroma de primavera

Para pintar as curvas
Com a cor dos caminhos
Onde se perdem tuas mãos

Para me pintar de Vênus
Com a cor da tua boca
Quando bebe da minha fonte

Para pintar as noites
Com a cor de amantes
Que se entregam à paixão

Para pintar pensamentos
Com a cor de palavras
Que umidecem teu sexo
E unem nossos corpos

Para pintar as horas
Com a cor dos teus beijos
Quando desponta a aurora
E amanheço em teu peito

Para pintar de tempo
Com a cor do amor
E para sempre te adorar:

fica por um instante
no teu silêncio
e na minha lembrança.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Amuleto de Afrodite

Para pintarme los ojos
con el color de tus sueños
que me tienen atrapada

para pintarme las uñas
con el color del ocaso
que abrasa la calma

para pintarme los labios
con el color del orgasmo
que flamea las almas

para pintarme la piel
con el color de la brisa
que acaricia los montes

para pintarme el pelo
con el color de las flores
que huelen a primavera

para pintarme las curvas
con el color de caminos
donde se pierden tus manos

para pintarme de Venus
con el color de tu boca
cuando bebe de mi fuente

para pintar las noches
con el color de amantes
que se entregan a la pasión

para pintar pensamientos
con el color de palabras
que humedecen tu sexo
y unen nuestros cuerpos

para pintar las horas
con el color de tus besos
cuando rompe la aurora
y en tu pecho amanezco

para pintarme de tiempo
con el color del amor
y para siempre adorarte:

quédate por un instante
en tu silencio
y en mi recuerdo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Arapuca

E inventou uma nova distração. Comprou uma casinha de madeira para pássaros, com somente um saguão e um telhado com forma triangular e colocou-a no terraço. No vestíbulo, que é onde começa e termina a casinha, pôs um amontoado de alpiste e um potinho com água. Em frente à porta-janela da casa, uma mini-filmadora meio escondida dentro de um vaso de planta, conectada com outra câmera na sala do casarão. Quis fazer um espécie de "Big Brother" dos pássaros.

Filmou o barulho do vento remexendo o alpiste, as folhas voando sem direção, algumas formigas fazendo sua cruzada sobre o telhado, o baile da chuva, a fusão do sol com a neve; porém os pássaros, quando aterrissavam no terraço, ou seja, as raras vezes que apareciam, aproximavam-se desconfiados, cheiravam a casinha e observavam as imagens ao seu redor para depois fugir da ameaça invisível.

"Eles percebem que há alguém esperando por eles", eu lhe disse, "eles notam que algum olho os observa ou que talvez aquele vaso de planta esteja meio fora de lugar. Há algo novo no ambiente. Eles não gostam de perder a própria liberdade sendo observados assim e temem que suas imagens sejam capturadas para sempre. Talvez o instinto lhes diga que aquilo pode ser um gato faminto ou uma serpente venenosa, algo que venha atrapalhar sua singela hora de paz e refeição. Talvez os pássaros se sintam como nós nesse mundo, onde mesmo estando sozinhos, temos a impressão de estarmos sempre acompanhados, como se algum olho filmasse nossas vidas. Às vezes, notamos alguma câmera indiscreta, algum gato faminto ou alguma imagem que está fora do seu lugar habitual, num dado momento. É o medo do desconhecido."

Edgar encolheu os ombros, querendo fugir de alguma trapaceira verdade...e voaram seus pensamentos junto com os pássaros.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

La Trampa

 
E inventó un nuevo pasatiempo. Compró una casita de madera para pájaros, con un zaguán y un tejado triangular. La puso en el balcón. En la única habitación de la casita, donde ésta empieza y acaba, ha puesto un monte de alpiste y ha llenado un tarrito con agua. Instaló delante de la puerta-ventana de la casita, una cámara oculta entre las plantas, conectada con otra cámara en el salón de su casa. Quiso hacer un "Gran Hermano" de pájaros.

Registró el ruido del viento revolviendo el alpiste, el vuelo de hojas desorientadas, algunas hormigas haciendo su cruzada sobre el tejado, el baile de la lluvia, la fusión del sol con la nieve...pero los pájaros, ah! los pájaros...cuando aterrizaban en el balcón, se acercaban desconfiados, oliendo la casita y observando las imágenes de su entorno, para después huir de la amenaza invisible.

"Ellos notan que hay alguien que les espera", le dije, "intuyen que algún ojo les observa o que tal vez la maceta esté un poquito fuera de su habitual sitio. Hay algo nuevo en el ambiente. No les gusta perder la propia libertad siendo observados así y temen que sus imágenes sean capturadas para siempre. Quizá el instinto les diga que aquello puede ser un gato hambriento o una venenosa serpiente, algo que moleste su sagrada y sencilla hora de paz y almuerzo. Tal vez los pájaros se sientan como nosotros en el mundo; aunque estemos solos, tenemos la impresión de que estamos siempre acompañados, como si un ojo filmara nuestras vidas. A veces notamos alguna cámara indiscreta, algún gato hambriento o una imagen que está fuera de su sitio en un momento exacto. Es el miedo a lo desconocido."

Edgar se encogió de hombros, queriendo escapar de alguna tramposa verdad...y volaron sus pensamientos junto a los pájaros.

 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Infância



A voz do vento me conta
Lendas dessas terras
Os moinhos são testemunhas
De sua presença eterna

Era menina muito pequena
Já brincava com palavras
Que voavam com o vento
Das minhas mãos escapavam

Numa caixa de música
herança de um velho vazio
guardo memórias da infância
cantos do vento, acordes do rio

No colo da tarde
Ninho das minhas fantasias
O sopro do vento apagava
O fogo de um sol que partia

Suspiros do furacão e da brisa
Testemunhas da dor e do riso
Açoitam frágeis abertas janelas
Acariciam as pétalas das manhãs

O vento da minha infância
Espírito bravo insolente
O eco de seu breve silvo
Sufoca fantasmas da mente



domingo, 27 de novembro de 2011

Infancia

La voz del viento me cuenta
leyendas de estas tierras
los molinos son testigos
de su presencia eterna

Era niña muy pequeña
ya jugaba con palabras
que volaban con el viento
de mis manos escapaban

En una caja de música
herencia de un viejo vacío
guardo memorias de infancia
cantos del viento, acordes del río

En el regazo de la tarde
nido de mis fantasías
el soplo del viento apagaba
el fuego de un sol que partía

Suspiros del huracán, de la brisa
testigos del dolor, de la risa
azotan frágiles abiertas ventanas
acarician los pétalos de las mañanas

El viento de mi niñez,
espíritu bravo insolente
el eco de su breve silbido
sofoca fantasmas de la mente

sábado, 26 de novembro de 2011

Apaixonados


Espectro e Crepúsculo
seu aroma se derrama
toca a pele do vento,
que se abre em vielas e janelas
revira os lençóis e
os corações que se ocultam,
não sabe se Colombina se deitou com Arlequim.
Amor que está sem ser
sem poder estar,
sua respiração quente entre as coxas
da mulher amada
estremecem as mãos sobre a mesa
na busca constante de um gesto
treme a vela na sua pupila
não sabe se o sol se deita na água.
Estremecem a nudez e a entrega
num canal de lábios famintos
navega sua gôndola vazia.
Espectro e Crepúsculo,
se envolve na trama da mulher amada,
entre névoa e sonho
uma figura luminosa desponta:
a lua navega à deriva.
O pranto de Pierrot sempre inunda a praça,
amor que  começa quando o dia termina.


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Enamorados

Espectro y Crepúsculo
su olor se derrama
roza la piel del viento,
que se abre en callejas y ventanas,
revuelve las sábanas y
los corazones que se ocultan,
no sabe si Colombina se acuesta con Arlequín.
Amor que está sin ser,
sin poder estar,
su aliento cálido entre los muslos
de la mujer amada,
tiemblan las manos sobre la mesa
en busca de un ademán,
tiembla la vela en su pupila,
no sabe si el sol se acuesta en el agua.
Tieblan la desnudez y la entrega
en un canal de labios hambrientos
navega su góndola vacía.
Espectro y Crepúsculo,
se envuelve en la trama de la mujer amada,
entre niebla y sueño
una figura luminosa se asoma:
la luna navega a la deriva.
El llanto de Pierrot siempre inunda la plaza,
amor que empieza cuando el día termina.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Um Quadro do Menino Deus


Das mãos do menino Deus
Brotam aves que desenham
Veredas de luz e de sombra
Aos pés do firmamento

Sentado na bicicleta
Um menino olha para cima,
ele sabe que o sentido
está na busca incessante
e compreende que Ele é
todo ponto de partida
e todo ponto de chegada.

As aves que brotam de Deus,
Mensageiras do canto à vida,
Pousam nos ombros do menino,
Desenhado num caminho
Aos pés do firmamento.

E giram as rodas da bicicleta,
giram as rodas da esperança,
o menino que olha para cima
faz os pedais do mundo girar, 
com sua busca incessante.


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Un Cuadro del Niño Dios



De las manos del niño Dios
brotan aves que dibujan
senderos de luz y de sombra
a los pies del firmamento.


Montado en su bicicleta,
un niño mira hacia arriba,
sabe que el sentido está
en una busca incesante
y comprende que Él es
todo punto de partida
y todo punto de llegada.


Las aves que brotan de Dios,
mensajeras del canto a la vida
se posan en los hombros del niño
dibujado en un sendero,
a los pies del firmamento.


Y giran las ruedas de la bicicleta
giran las ruedas de la esperanza
el niño que mira hacia arriba
hace girar los pedales del mundo
con su busca incesante.



quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Caso Verídico


O coração de um bebê de dois semanas para de bater.
Os ponteiros do relógio pendurado na sala de jantar param de girar.
Trinta minutos sem respirar, sem mover-se, sem chorar.
Meia hora sem comer, sem falar, os amantes se olham em silêncio.
Todas as tentativas para devolver a vida ao bebê foram em vão.
Todas as tentativas são inúteis para resgatar vinte anos de amor sem arrependimentos.
Os médicos garantem que um tesouro está perdido.
De repente os olhos tristes adivinham que não mantêm viva a chama.
Morte.
Últimos minutos para a despedida,  a mãe pega o filho nos braços e beija sua testa.
A mulher de chapéu negro diz ao seu homem que vai embora, sem beijos.
O bebê adormecido começa a mover-se, o ar volta aos seus pulmões e o coração bate.
O homem inerte permanece na sua cadeira,  a porta bate e ecoa um adeus opaco, o coração treme.
Vida.
Woody Lander, o bebê, fez um ano de vida. O homem e a mulher renasceram separados. 
E os ponteiros voltam a girar, mas ninguém pode explicar como funciona um Milagre.



.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Caso Verídico

El corazón de un bebé de dos semanas para de latir.
Las agujas del reloj colgado en la pared del comedor paran de girar.
Treinta minutos sin respirar, sin moverse, sin llorar.
Media hora sin comer, sin hablar, los amantes se miran en silencio.
Todos los intentos para traerle la vida al bebé fueron en vano.
Todos los intentos son inútiles para rescatar veinte años de amor sin arrepentimientos.
Los médicos aseguran que un tesoro está perdido.
De pronto los ojos tristes adivinan que no mantienen viva la llama.
Muerte.
Ultimos minutos para la despedida, la madre coge a su niño en los brazos y le besa la frente.
La mujer con sombrero negro le dice a su hombre que se va, sin besos.
El bebé adormecido empieza a moverse, el aire vuelve a sus pulmones, el corazón late.
El hombre inerte permanece en su silla, la puerta suena a adiós opaco, el corazón tiembla.
Vida.
Woody Lander, el bebé, cumplió un año de vida. El hombre y la mujer renacieron separados.
Y las agujas vuelven a girar, pero nadie puede explicar cómo funciona un Milagro.





domingo, 13 de novembro de 2011

Vida


Tua boca dorme em meus seios
Leito do teu alimento
Fonte de amor e de sonhos
Brotados do firmamento
Mães que regam as pétalas
De frágeis alvoradas
O leite banha as rosas 
Os lábios bebem cascatas



Vida

Tu boca duerme en mis senos
lecho de tu alimento
fuente de amor y de sueños
brotados del firmamento
Madres que regan los pétalos
de frágiles alboradas
la leche baña las rosas
los labios beben cascadas

sábado, 12 de novembro de 2011

Encontro Clandestino


Na fronteira da noite espera
a luz que cega um rosto mascarado
Teu desejo ressuscita devorado
pela molhada cova de Quimera

Chicote é a língua que doma a fera
Teu passo firme na neve forjado
apaga as pegadas do gigante Fado
Chega à margem da celeste esfera


Ameaça de paixão destila o gozo
Flutuante em alambique de loucura
Pálpebras esvoaçam com teu toque

Arde a sombra da tua pele impura
Úmida trama que o corpo conhece 
Teu amor desliza pela fechadura



quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Furtivo Rendez-vous

En la frontera de la noche espera
la luz que ciega un rostro enmascarado
tu deseo resucita devorado
por la mojada cueva de Quimera

Fusta es la lengua que doma la fiera
tu paso firme en la niebla forjado
borra las huellas del gigante Hado
llega al borde de la celeste esfera

Amago de pasión destila el goce
flotante en alambique de locura
párpados aletean con tu roce

Arde la sombra de tu piel impura
húmeda trama que el cuerpo conoce
tu amor resbala por mi cerradura

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

Amor Malfadado



E esfregou sua cabeça na lâmpada mágica e pediu seu último desejo. Queria estar sempre ao seu lado, espionar a intimidade dela, noite e dia, resumindo, ser uma mosca varejeira.
E olhava, olhava e olhava. A puta mosca pousada no azulejo do box do banheiro recebia as gotas de água do chuveiro, nas suas costas. Quando se cansava de olhar sem tocar, voava ao redor do grande corpo pelado da sua musa (Dona Inês), tentando sem sucesso pousar num dos seus mamilos descomunais que tem o aroma do leite com mel quentinho.
Tenta roçar seu monte de Vênus e as patas ficam coladas na superfície peluda, uma armadilha !
Recebe uma chicotada com a toalha molhada. De súbito, um golpe baixo. Perde uma asa e cai no chão. Aos seus pés tenta zumbir e galantear a musa indiferente (Dona Inês). Entao, -com a volubilidade do ser humano-, começa a pensar que talvez seja uma boa idéia voltar a ser homem digno.
Tarde demais. A musa (Dona Inês) era grande, gorda e calçava número quarenta. Não era bela, mas tinha uma pisada forte e decidida.
Esmagamento fatal.




sábado, 5 de novembro de 2011

Amor Desafortunado




Y frotó su cabeza contra la lámpara mágica y pidió su último deseo. Le gustaría estar siempre a su lado, espiarla en su intimidad, noche y día, en resumen, ser un moscón.
Y miraba, miraba y miraba. La puta mosca posada en el azulejo del baño recibía las gotas de agua de la ducha, en su espalda. Cuando se cansaba de mirar sin tocar, volaba alrededor del gran cuerpo desnudo de su musa (Doña Inés), intentando sin éxito aterrizar en uno de sus pezones gigantescos que huelen a leche con miel caliente.
Intenta rozar su monte de Venus y las patas se pegan a la superficie peluda, ¡una trampa!  Recibe un duro azote con la toalla mojada. De golpe, un golpe bajo. Pierde un ala y se cae al suelo. A sus pies intenta zumbar y a la indiferente musa (Doña Inés) cortejar. Entonces, -con la volubilidad del ser humano-, empieza a pensar que tal vez sea una buena idea volver a ser hombre digno.
Demasiado tarde. La musa (Doña Inés) era grande, gorda y calzaba un cuarenta de pie. No era bella pero tenía una pisada fuerte y decidida.
Aplastamiento fatal.



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Dúvidas

quem criou?
o Universo
os universos
num único verso
ou sete versos
sente
no vazio
procura fora uma pergunta:
a resposta?
dentro de si mesmo.

Dudas

¿quién creó?
el Universo
los universos
en un único verso
o siete versos
siente
en el vacío
busca fuera una pregunta:
¿la respuesta?
dentro de uno mismo. 



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Solidão Urbana

selva de pedra
labirinto de esquinas
a lua acende
pés descalços sem terra
os homens de olhos tristes

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Soledad Urbana

selva de piedra
laberinto de esquinas
la luna alumbra
pies descalzos sin tierra
los hombres de ojos tristes

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ontem à Noite



A água goteja
úmidos os pratos
as taças cheias
de teus lábios
o vinho partiu
vermelho com os beijos
o sangue sorvido
sem adeus goteja
úmidos os passos
comigo você fez o sonho
de um amor que abrasa
escondido na tua lava
me transformo em cinzas
queimados suspiros
morro de vida
sem freios, sem forças
prostrado na cama
envolvido na bruma
de um mar de fôlegos
e teus caracóis

O desejo goteja
a taça cheia
úmidas as pernas
entrecruzados caminhos
raízes e caules
ondas de pele agitada
em profundos vales
lambem o fugaz sorriso
da noite enluarada
se adormece o fogo
se amanhece o corpo
quando as gotas soam
como orvalho da alma


Anoche


El agua gotea
húmedos los platos
las copas llenas
de tus labios
el vino se fue
rojo con los besos
la sangre sorbida
sin adiós gotea
húmedos los pasos
me hiciste el sueño
de un amor que abrasa
escondido en tu lava
me vuelvo cenizas
quemados suspiros
me muero de vida
sin frenos, sin fuerzas
postrado en la cama
envuelto en la bruma
de un mar de alientos
y tus caracoles

El deseo gotea
la copa llena
húmedas las piernas
entrecruzados caminos
raíces y tallos
olas de piel revuelta
en profundos valles
lamen la fugaz sonrisa
de la noche enlunarada
se adormece el fuego
se amanece el cuerpo
cuando las gotas suenan
a rocío del alma


domingo, 23 de outubro de 2011

Fotografia

Debaixo das nuvens
caem flores brancas
de um limoeiro
um vendaval leva
suas folhas e seus ramos

O sol se põe
no pátio arborizado
ambos se beijam
de mãos dadas
o céu se ruboriza

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Fotografía

Bajo las nubes
caen las flores blancas
de un limonero
un vendaval se lleva
sus hojas y sus ramas

El sol se pone
en el patio arbolado
los dos se besan
cogidos de la mano
el cielo se sonroja

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Para Ti

Pai-esperança
Sorriso
Força
Amizade
Luz da minha vida
Pai-bonança
Sabedoria
Luta
Dignidade
Pele que derrama calor
Carinho
Sinceridade
Abrigo para sempre
És, és, és

A Ti

Padre-esperanza
Sonrisa
Fuerza
Amistad
Luz de mi vida
Padre-bonanza
Sabiduría
Lucha
Dignidad
Piel que derrama calor
Ternura
Sinceridad
Abrigo para siempre
Eres eres eres

domingo, 16 de outubro de 2011

O Gato que se transformou em Tigre

O gato cinza está triste
O mar azul nos seus olhos
nos oculta as fagulhas
de sóis primaverais.
Seu faro de caçador
Cheira um profundo vazio
que sobressalta minh'alma.
quando olho de soslaio
sua fragilidade ao vento,
sou fragmento tosco
perdido na distância.
Com gratidão ronrona
se lhe falo com ternura,
e um miado que pede
o alívio que vive
inerente à morte,
confirma que estou só,
sou um rascunho do tempo
a interjeição de assombro
que procura uma resposta.

O tigre não está triste 
ruge e salta tão alto
que voa sobre o telhado.

Acaba de chegar ao cume.

  

sábado, 15 de outubro de 2011

El Gato que se convirtió en Tigre


El gato gris está triste.
El mar azul en sus ojos
nos oculta las centellas
de soles primaverales.
Su faro de cazador
huele un profundo vacío
que sobrecoge mi alma.
Cuando miro de soslayo
su fragilidad al viento,
soy fragmento tosco
perdido en la distancia.
Con gratitud ronronea
si le hablo con ternura,
y un maullido que pide
el alivio que vive
inherente a la muerte,
confirma que sola estoy,
soy un boceto del tiempo
la interjección de asombro
que busca siempre respuesta.

El tigre no está triste
ruge y salta tan alto
que vuela sobre el tejado. 

Ha llegado a la cima.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Os Amantes

I

Os corpos nus
Os lençóis úmidos
Têm cheiro de paixão

II

Fluidos sorvidos
Por lábios enovelados
Loucos no cio

III

Manchando a pele
Somos mais que amantes :
Prazer e dor

IV

Noite-testemunha
Orgasmo infinito 
Doces gemidos




Los Amantes

I

cuerpos desnudos
las sábanas húmedas
huelen a pasión


II

fluidos sorbidos
por labios enredados
locos en celo


III

manchando la piel
somos más que amantes:
placer y dolor


IV

noche-testigo
orgasmo infinito
dulces gemidos

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Silêncio Perdido


O povoado se chamava Gelo. Era pequeno e tinha muito poucos habitantes. Os poucos civilizados só falavam o extremamente necessário – dez por cento do que costumamos falar – gesticulando mais e sussurrando de vez em quando um pequeno vocabulário.
As pessoas que falavam demais foram expulsas do povoado, porque o prefeito não tolerava muito ruído; as pessoas matavam o precioso tempo com conversas e fofocas supérfluas. Os faladores eram os maiores inimigos do povo, cultivavam a desconfiança em suas terras e o faziam envelhecer rapidamente.
Depois das seis horas da tarde, era proibido escutar rádio, ver televisão ou usar eletrodomésticos berradores, de modo que o principal passatempo era a leitura-escritura e o sexo surdomudo.
Sair às ruas de noite era proibido e perigoso, pois os passos podiam emitir ecos profundos e inconvenientes, apunhalando as paredes das casas, como facas aguçadas. Uma noite, quando este que lhes escreve, imaginava que todos dormiam, o povoado desperta com um grito agudo: “Socorro!”

Gelo se derreteu nas chamas de um vulcão supostamente extinto e os habitantes não se atreveram a deixar seus bunkers com medo de violar a lei do silêncio e importunar os vizinhos. Hoje o silêncio do povoado jaz em cinzas.


Silencio Perdido


El pueblo se llamaba Hielo. Era pequeño y tenía muy pocos habitantes. Los pocos civilizados sólo hablaban lo extremamente necesario –diez por ciento de lo que solemos hablar- gesticulando más y susurrando de vez en cuando un corto vocabulario.
La gente que hablaba demasiado fue expulsa del pueblo, porque el alcalde no toleraba mucho ruido; la gente mataba el precioso tiempo con charlas y chismes superfluos. Los habladores eran los mayores enemigos del pueblo, cultivaban la desconfianza en sus tierras y le hacían envejecer rapidamente.
Después de las seis de la tarde, era prohibido escuchar la radio, ver la tele o usar electrodomésticos gritones, así que el principal pasatiempo era la lectura-escritura y el sexo sordomudo.
Salir a la calle por la noche era prohibido y peligroso, pues los pasos podrían emitir ecos profundos e incovenientes, apuñalando los muros de las casas, tal cual cuchillos  aguzados.
Una noche, cuando el que os escribe imaginaba que todos dormían, el pueblo despierta con un grito agudo: “¡Socorro!”

Hielo se derritió en las llamas de un volcán supuestamente extinto y los habitantes no se atrevieron a dejar sus búnkers con temor a violar la ley del silencio e importunar los vecinos. 
Hoy el silencio del pueblo yace en cenizas.




segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Amor Clandestino

Hoje ao acordar senti tua falta
É normal num amor clandestino
Distante grande parte do tempo
Amor esse proibido, regado a falta
Por vezes indiferente, amor, desamor
Que parece não ser correspondido
Que meu coração insiste em viver
Um falso amor e transforma solidão
Em prisão, este que não sai do peito
Arrepia meus poros, 

Amor que dói, amor de pecador.



Amor Clandestino

Hoy, al despertar, te he echado en falta
Es lo normal en un amor clandestino
distantes, gran parte del tiempo
Amor ese prohibido, regado con ausencia
A veces indiferente, amor, desamor
que parece no ser correspondido
Que mi corazón insiste en vivir
un falso amor y convierte soledad
en cárcel, éste que no sale de mi pecho

Y eriza mis poros,
Amor que duele, amor de pecador.


sábado, 24 de setembro de 2011

Digressão



, corpo encolhido

tão frágil é tua liberdade
que poderíamos protegê-la
na tigela envelhecida
da mulher que pede

- uma esmola de palavras, pelo amor de…
do autor de nossas vidas,

(gagueja, as mãos suam)

os alto-falantes endeusam o poder
cujo Verbo é coberta para a armadilha,
onde a presa espera

com

paciência

o desfecho de um poema
chamado dignidade sem nome,


Digresión


, cuerpo acurrucado

tan frágil es tu libertad
que podríamos guarecerla
en el cuenco envejecido
de la mujer que pide

- una limosna de palabras, por el amor de…
del autor de nuestras vidas,

(tartamudea, le sudan las manos)

los altavoces deifican el poder
cuyo Verbo es cobija para el embudo,
donde la presa espera

con

paciencia

el desenlace de un poema
llamado dignidad sin nombre,



quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Simpatia é quase Amor

reflexos do carnaval de ilusões
desfile no asfalto quente
poças de miragens
mesclando fantasias da sociedade

os pés descalços
a pele se queima e descama
o ritmo de tambores e orquestra
vibra a fina linha que separa
o banquete da fome
a massa mascarada


sapatos lustrosos
pisam o cume da hierarquia
pobre poesia massacrada
de esquinas inebriadas
de álcool, amor e simpatia
cacos de felicidade que curam
a falta de tudo

confete serpentina cobrem
o lixo do luxo
máscara purpurina cobrem
os rostos e rastros da desigualdade
carnaval
requintada crueldade
bailam os corpos robustos raquíticos
no desfiladeiro
já é fevereiro

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Simpatía es casi Amor

reflejos
del carnaval de ilusiones
desfile en asfalto
caliente
charca de espejismos
mezclando disfrazes
de la sociedad


los pies desnudos
la piel se quema y descama
el ritmo de tambores y orquestas
vibra el fino hilo que separa
el banquete del hambre
la masa enmascarada

zapatos lustrosos
pisan la cima de la jerarquía
pobre poesía masacrada
de esquinas embriagadas
de alcohol, amor y simpatía
añicos de felicidad que curan
la falta de todo

confeti serpentina cubren
la basura del lujo
máscara purpurina cubren
los rostros rastros
de la desigualdad
carnaval
requintada crueldad
bailan los cuerpos
robustos raquíticos
en el desfiladero
ya es febrero

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Miragem



Na estação de um sonho, os trens chegavam e partiam. E os amores. O seu, ainda imóvel, lhe esperava. Uma pomba cruza as vias férreas. Tenha cuidado. A mulher vê a mulher que corre. Ela tem pressa. Tem um ar angustiado na boca, ar que estorva sua mala. Entra, se senta, olha pela janela. O que você vê? Através do vidro, por atrás da névoa do seu fôlego, emerge uma pomba e outro longo trem também espera, inerte.
Ela se intui, toca os joelhos pontiagudos, nus, dois punhais. Agora está em movimento, vê fugir do alcance de suas pupilas uma sucessão de janelas que passam, uma atrás da outra ; cheira em sequência a fumaça das idéias que passam, uma atrás da outra. Memória na fita. Ela pensa que já tinha visto aquela mulher que olha. Pensa que a mulher pensa que já falta menos para chegar ao seu destino. Olha para o lado direito. Equívoco! As pessoas continuam na plataforma da estação, em pé, esperando, não passam. Pausa. Do lado esquerdo, rítmo do pulso e o último vagão acaba de passar, em sentido contrário, cruzando a ponte entre seus olhos. a mulher que olha a mulher está sentada do seu lado, tem lágrimas com pressa, mas não sabe qual será seu próximo movimento. As mãos cobrem os joelhos, se ferem com punhais. A pomba se olha nas pupilas de ambas mulheres. Beleza calma. Está imóvel. Nao sabem que as três são uma em constante movimento. Elas têm pressa. Finalmente, a pomba alça vôo até o Sol.



domingo, 18 de setembro de 2011

Espejismo




En la estación de un sueño, los trenes llegaban y partían. Y los amores. El suyo, todavía inmóvil, le esperaba. Una paloma cruza las vías férreas. ¡Ten cuidado! La mujer ve la mujer que corre. Tiene prisa. Tiene un aire angustiado en la boca, aire que estorba su valija. Entra, se sienta, mira por la ventana. ¿Qué ves? A través del vidrio, detrás de la bruma de su aliento emerge una paloma y otro largo tren también espera, inerte.
Ella se intuye, se toca las rodillas puntiagudas, desnudas, dos puñales. Ahora está en movimiento, ve huir del alcance de sus pupilas una sucesión de ventanas que pasan, una trás otra ; huele en secuencia el humo de las ideas que pasan, una trás otra. Memoria en cinta.
Piensa que ya había visto aquella mujer que mira. Piensa que la mujer piensa que ya falta menos para llegar a su destino. Mira hacia el lado derecho. ¡Equívoco! La gente sigue en el andén, en pie, esperando, no pasan. Pausa. Del lado izquierdo, ritmo del pulso y el último vagón acaba de pasar, en sentido contrario, cruzando el puente entre sus ojos.
La mujer que mira la mujer está sentada a su lado, tiene lágrimas con prisa, pero no sabe cual será su próximo movimiento. Las manos cubren las rodillas, se hieren con puñales. La paloma se mira en las pupilas de ambas mujeres. Belleza calma. Está inmóvil. No saben que las tres son una en constante movimiento. Tienen prisa. Por fin, la paloma alza el vuelo hacia el Sol.



Nostalgia 6

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Braços Maternos

Fios de cabelos prendem os dedos
versos que modelam a seda de sua teia
meus pés em suas mãos destroçando medos
gorjeios que embalam as noites em vela

Repouso do aroma em frascos de poros
lembranças de sol em cacos do tempo
transbordante calor da pele que sinto saudades
asas da minha mãe são braços do vento

Lenços que guardam pérolas do destino
sacam veredas de seu triste olhar
você escreve sorrisos no pergaminho
e traduz a felicidade pintada com luzes

Soneto de beijos brotam dos seus lábios
Seu silêncio é templo de ouvidos sábios

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Brazos Maternos

Hilos de cabellos atrapan los dedos
versos que modelan seda de tu tela
mis pies en tus manos destrozando miedos
gorjeos que acunan las noches en vela

Reposo del olor en frasco de poros
recuerdos de sol en añicos del tiempo
rebosante calor de la piel que añoro
alas de mi madre son brazos del viento

Pañuelos que guardan perlas del destino
secan senderos de tu triste mirada
escribes sonrisas en el pergamino
traduces la dicha con luces pintada

Soneto de besos brota de los labios
Tu silencio es templo de oídos sabios

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Livro que nos lê

Estas páginas podem conter uma fogueira de vaidades, na qual alguém costuma queimar seu espírito encarcelado.
Também podem conter o Éden, onde alguém quer saciar seu Ego, dia a dia. As páginas podem ser um campo de batalha, onde alguém devora o inimigo. Ou podem ser a escola, onde alguém aprende a compartir beleza e sabedoria.

As letras deste livro podem ser pedras brutas ou jóias raras. Tudo depende da cor do cristal com que se olha.

El Libro que nos lee

Estas páginas pueden contener una hoguera de vanidades, en la cual uno suele quemar su espíritu aprisionado.
También pueden contener el Edén, donde uno quiere saciar su Ego, día a día. Las páginas pueden ser un campo de batalla, donde uno devora al enemigo. O pueden ser la escuela, donde uno aprende a compartir belleza y sabiduría.

Las letras de este libro pueden ser piedras toscas o joyas raras. Todo depende del cristal con que se mire.

Nostalgia 5

domingo, 11 de setembro de 2011

Vertigem no Haiti

rompeu em prantos
o homem que procurava
um corpo vivo

treme a terra
casas e flamboyants
debaixo de ruínas

pede socorro
um país esquecido
de sonhos destruídos

Vértigo en Haití

rompió en llanto
el hombre que buscaba
un cuerpo vivo

tiembla la tierra
casas y flamboyanes
bajo las ruinas

con ojos tristes
niños sobrevivientes
andan sin rumbo

pide socorro
un país olvidado
de sueños rotos

sábado, 10 de setembro de 2011

Quero-Quero

Digo-te que te quero, mas tu não sabes quanto
Sempre te quero tanto, que quase desespero
Tento presentear-te meus versos com esmero
Encher-te de alegria, exterminar o pranto


Na minha teia enredado, quando tu lês meu canto
Moço, teus olhos brilham, fitam-me com ardor feroz
Refletindo a dúvida, quando ouves minha voz
Não duvides, meu amor, que há paixão sem quebranto


Com meu pobre soneto, eu tento engabelar-te
A intenção verdadeira, sei camuflar com arte
Logo matar a fome, comer por vez primeira
 
Quero regar tuas costas, Baco nos doa o vinho
Vira-te já de bruços, geme a noite inteira
Teu corpo é meu banquete, tuas curvas meu caminho.





Quiero-Quiero



Te digo que te quiero, pero no sabes cuanto
Siempre te quiero tanto, que casi desespero
Intento regalarte mis versos con esmero
Colmarte de alegría, exterminar el llanto

En mi tela enredado, cuando lees mi canto
Mozo, tus ojos brillan, miran con ardor fiero
Reflejando la duda si te digo "Te Quiero"
No dudes, amor mío, hay pasión sin quebranto

Con mi pobre soneto, intento camelarte
La intención verdadera, sé camuflar con arte:
Pronto matar el hambre, comer por vez primera

Quiero regar tu espalda, Baco nos dona el vino
Túmbate boca abajo, gime la noche entera
Tu cuerpo es mi banquete, tus curvas mi camino

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Presença



A casa não é a casa sem ti,
o rádio de pilhas não é o rádio sem ti,
os óculos não são os óculos sem ti,
a cadeira não é a cadeira sem ti,
os santos não são os santos sem ti,
sem ti não há mais nada.
Alguns objetos perdem seu significado,
estão vazios.
E tenho medo de perder também
tua imagem.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Presencia

La casa no es la casa sin ti, la radio a pilas no es la radio sin ti, las gafas no son las gafas sin ti, la silla no es la silla sin ti, los santos no son los santos sin ti, sin ti no hay más nada. Algunos objetos pierden su significado, están vacíos. Y tengo miedo de perder también tu imagen.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Folha de Diário



Domingo, maio
ouvimos a Fantasia
sonata para piano
com a pluma da inspiração
o fantasma alado de Mozart
cala vozes do silêncio
paredes guardam segredos
milenares de carícias
e assombros

Fantasia em Ré menor
toca as colunas dos sentidos
estremecem metros cúbicos de alma
geometria incerta por segundo
Gavrilov lava as mãos
no lago turvo do céu
chacoalhando nuvens
gotículas de chuva, cristais se precipitam
batem na porta, insistentes, inundam a terra
nos convidam para o passeio
porém recusamos
o baile nas alamedas
o salto à distância sobre poças
e esquinas

Ficamos
em nosso quarto houve, haverá, há
um amálgama de notas e estações
harmonia de luz num coro de cristais
folhas úmidas desprendidas do ramo
desenha um chapéu que cobre o nascer do sol
escondido entre nossos cabelos
brilho de bosque negro
a primeira primavera brota
na fértil tarde de seus ouvidos

Deitada em meus braços
entre o sono e o despertar
a mensagem que recebes
é singela, é abrigo
é de pássaros que voam alto
levando nos bicos relógios cuco
queres dizer-me que o tempo voa?
responde-me teu sorriso
a mensagem de sonata que recebo
te digo que esse instante é eterno?
sorrio, porque vivo de amor por ti.

Domingo, maio
visitemos a feira medieval
donzelas e cavalheiros
trovadores tocam harpa
acalmando seus dragões de fogo interno
e que gire a máquina do tempo!



quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Hoja de Diario



Domingo, mayo
oímos la Fantasía
sonata para piano
con la pluma de la inspiración
el fantasma alado de Mozart
calla voces del silencio
paredes guardan secretos
milenarios de caricias
y asombros

Fantasía en Re menor
toca los pilares de los sentidos
tiemblan metros cúbicos de alma
geometría incierta por secundo
Gavrilov lava sus manos
en el lago turbio del cielo
meneando nubes
gotas de lluvia, cristales se precipitan
golpean la puerta, insistentes, inundan la tierra
sin embargo, recusamos
el baile en las alamedas
el salto de longitud sobre charcos
y esquinas

Nos quedamos
en nuestra habitación hubo, habrá, hay
una amalgama de notas y estaciones
armonía de luz en un coro de cristales
hojas humedas despegadas del ramo
dibujan un sombrero que cubre el nacer del sol
oculto entre nuestros cabellos
brillo de bosque negro
la primera primavera brota
en la fértil tarde de sus oídos

Acostada en mis brazos
entre el sueño y el despertar
el mensaje que recibes
es sencillez, es abrigo
es de pájaros que vuelan alto
portando en sus picos relojes de cuco
¿quieres decirme que el tiempo vuela?
contéstame tu sonrisa
el mensaje de sonata que recibo
¿te digo que este instante es eterno?
sonrío, porque vivo de amor por ti.


Domingo, mayo
visitemos la feria medieval
doncellas y caballeros
trovadores tocan el arpa
sosegando sus dragones de fuego interno
¡y que gire la máquina del tiempo!





terça-feira, 30 de agosto de 2011

Piruetas



O vento sopra apressado
páginas de um livro sem nome
penteando as primaveras
dedos ágeis que procuram
que palpam, que sonham
com o primeiro cheiro do outono
e a cadência de primeiras ondas
que navegam castelos de areia
e inundam trompetes de caracóis marinhos.
Escutas? Os peixes dançam abraçados
e as letras vão embora, se afastam
galopando em bolas de sabão,
os olhos engatinham caçando a luz do dia
em rostos resplandecentes
e os pássaros voam alto
caçando aquelas mesmas letras que partem...
e já partiram.
Quando chegou o inverno?
Brincamos de esconde-esconde?
um, dois, três
ensaiando os passos
a...na...da...me dá algumas sílabas
e te devolvo um reino,
quando alguém se descobre no mundo
e admira perscrutador suas mãos pequenas,
aí então os peixes que dançam abraçados
bebem os mares e voam bem alto
fazendo piruetas ao lado daqueles pássaros
que retornam...
...já é verão.



Piruetas



El viento sopla con prisa
páginas de un libro sin nombre
peinando las primaveras
dedos ágiles que buscan
que palpan, que sueñan
con el primer olor del otoño
y la cadencia de primeras olas
que navegan castillos de arena
e inundan trompetas de caracolas.
¿Escuchas? los peces bailan abrazados 
y las letras se van y se alejan
galopando en pompas de jabón,
los ojos andan a gatas
cazando la luz del día en rostros resplandecientes
y los pájaros vuelan alto
cazando aquellas letras que se van
y se fueron
¿cuándo ha llegado el invierno?
¿jugamos al escondite?
uno, dos, tres
ensayando los pasos
la ...na...da...dame algunas sílabas
y te regalo un reino
cuando uno se descubre a sí mismo
en el mundo
y mira interrogante las pequeñas manos,
los peces que bailan abrazados
se beben los mares y vuelan bien alto
haciendo piruetas junto a los pájaros
que vuelven...
...ya es verano.






domingo, 28 de agosto de 2011

O Inimigo



Um homem só em sua casa de aço.
Fechou as portas e janelas e buracos.
Tinha pânico de Medo.
De repente ouviu uns passos,
um tambor que marcava o tempo,
uma voz que soprava com fúria o vento.
"Não estava só", estremeceu-se ao pensar nisso...
Ele havia esquecido que tinha vida.



El Enemigo



Un hombre solo en su casa de acero.
Cerró las puertas y ventanas y agujeros.
Tenía pánico al Miedo.
De pronto, oyó unos pasos,
un tambor que demarcaba el tiempo,
una voz que soplaba con furia el viento.
"No estaba solo", se estremeció al pensar en ello...
Había olvidado que tenía vida.



Nostalgia 3


sábado, 27 de agosto de 2011

Canal



Depois do desamor
escoar.
Dele ficou o aroma impresso
na tua sombra de pedra.
Tinhas visto um cisne de cristal
que deslizava sobra a água turva,
atrás do seu pescoço degolado,
restos de loucura,
amores impávidos,
imperfeitos pretéritos
te esperavam.
Refletia cores de outros mundos
e a sujeira das entranhas...


Pequeno sonho de borboleta desperta
dos últimos românticos
pendurado por um alfinete.





Desagüe



Después del desamor
desaguar.
Quedó su aroma impreso
en tu sombra de piedra.
Habías visto un cisne de cristal
que se deslizaba sobre el agua turbia,
detrás de su cuello degollado,
restos de locura,
amores impertérritos,
imperfectos pretéritos
te esperaban.
Reflejaba colores de otros mundos
y la suciedad de las entrañas...

Pequeño sueño de mariposa despierta
de los últimos románticos
colgado de un alfiler.