O que encontrar do outro lado da esquina... uma luz, um amor, um sonho, um silêncio, um verbo ou uma conjunção que conecte dois mundos?



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O déjà vu



Não, você não poderá se despedir de algumas pessoas que passam pela sua vida. Elas descem do trem e você nao sabe se chegaram à estação de destino ou se não pagaram a passagem de ida. Simplesmente vão embora, sem dizer uma palavra sequer e te flagram observando as trilhas no horizonte.

Finalmente, você olha ao seu redor e vê espaços vazios na alma e no tempo. Você sonha que a alma do mundo tem elasticidade e então, você acorda assustado, despertado pelo estalar dos móveis. Pega um copo com água, lê um artigo que fala da força escura que acelera a expansão do universo. Desconhecidas energia, matéria, dimensões. Desconhecido rumo que te leva ao desconhecido: sua única certeza. O restante é fé e hipótese que criam verdades transitórias.

Pelas frestas da janela se filtra a tênue luz do luar, enquanto você espiona a nudez da rua: um pedestre espera na calçada; um bonde acaba de dobrar a esquina; o som de folhas, remexidas pela brisa, te inquieta; a noite tem cheiro de aguardente, de tabaco e de perfume de mulher amada. Tudo envolvido pelo nevoeiro da dúvida. Realidade ou lembranças que já foram vividas?

Seu silêncio interno se transforma num redemoinho de pensamentos. Você acredita que os caminhos se bifurcam, mas que algum dia poderão unir-se novamente. Você vê que o passante acaba de pegar o bonde, ninguém desce, as portas se fecham e de súbito, uma grande bola de fogo voa pelos ares. O eco de um estrondo faz a terra vibrar. Com os olhos fechados, você escuta uma voz que diz que os passageiros devem permanecer em seus lugares e que a viagem continua.

Mais uma vez, você olha ao seu redor e quando se dá conta, os laços já se desataram e você se afasta de si mesmo, sem dizer adeus.





El déjà vu



No, no podrás despedirte de algunas personas que pasan por tu vida. Bajan del tren y no sabes si llegaron a la estación destino o si no pagaron el billete de ida. Sencillamente se van, sin decir una palabra y te sorprenden mirando los raíles en el horizonte.

Por fin, miras hacia tu alrededor y ves huecos en el alma y en el tiempo. Sueñas que el alma del mundo tiene elasticidad y te despiertas austado por el crujir de muebles. Coges un vaso con agua, lees un artículo que habla de la fuerza oscura que acelera la expansión del universo. Desconocidas energía, materia, dimensiones. Desconocido rumbo que te lleva a lo desconocido: tu única certitumbre. Lo demás es fe e hipótesis que crean verdades transitorias.


Por las rendijas de la ventana se filtra la tenue luz de la luna, mientras espías la calle desnuda: un peatón espera en la acera; un tranvía acaba de doblar la esquina; el sonido de hojas sacudidas por la brisa te inquieta; la noche huele a aguardiente, a tabaco y a perfume de mujer amada. Todo envuelto en la niebla de la duda. ¿Realidad o recuerdos ya vividos?


Tu silencio interno se convierte en un remolino de pensamientos. Crees que los caminos se bifurcan, pero que algún día podrán volver a unirse. Ves que el transeúnte acaba de subirse al tranvía, nadie desciende, las puertas se cierran y de golpe, una gran bola de fuego vuela por los aires. El eco de un estruendo hace vibrar la tierra. Con los ojos cerrados, escuchas a una voz que dice que los pasajeros deben permanecer en sus lugares y que el viaje sigue.


Una vez más, miras hacia tu alrededor y te das cuenta que los lazos se desataron, que te alejas de ti sin decir adiós.





quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O Cosmo de um Átomo



...os rios do céu desembocaram no Delta
do seu peito, berço de sonhos e crenças que
sempre voltam ao mar

...um cheiro de estigma impregnado de dias que se
abrem em cântaros e a boca-flor sorve um pouco
de milagre,

sem afogar-se

...o átomo se desintegra
o trovão, a testemunha, o estertor

...papel picado cai sobre a terra
seu cosmo vai-se embora

compro um astrolábio





El Cosmos de un Átomo



...los ríos del cielo desembocaron en el Delta
de su pecho, cuna de sueños y creencias que
siempre vuelven a la mar

...un olor de estigma impregnado de días que se
abren en cántaros y la boca-flor sorbe un poco
de milagro,

sin ahogarse

...el átomo se desintegra
el trueno, el testigo, el estertor

...papel picado cae sobre la tierra
su Cosmos se va

me compro un astrolabio





terça-feira, 16 de agosto de 2011

Efêmero


A anciã pendura a roupa
no meio da praça -jogam,
comem, bebem e se beijam-
os lençois têm cheiro de céu desbotado
suas mãos, de terra salpicada de chuva recente
se secam
tu és poesia, poesia é
a fotografia do Tempo.

 

Efímero


La anciana cuelga la ropa
en un tendedero improvisado
en medio de la plaza -juegan,
comen, beben y se besan-
las sábanas huelen a cielo desteñido,
sus manos huelen a tierra
salpicada de lluvia reciente,
se secan.
Poesía eres, poesía es
la fotografía del Tiempo.



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Etcétera



o amor com urgência

um aceno solitário

o tempo se perde em madalenas

a brisa suspende o fio do pensamento

resgatar-me em teus olhos
lágrima ou palavra, orvalho sobre pétalas 
a entrega é o perfume
do teu sexo em minhas mãos
é meu silêncio que te acolhe
e que te envolve
é o sorriso no teu olhar
que me diz

ainda te devo
uma xícara de café com poesia



Etcétera



el amor con urgencia

un ademán solitario

el tiempo se pierde en madalenas

la brisa suspende el hilo del pensamiento

rescatarme en tus ojos
lágrima o palabra, rocío sobre pétalos
la entrega es el perfume
de tu sexo en mis manos
es mi silencio que te acoge
y que te envuelve
es la sonrisa en tu mirada
que me dice

aun te debo
una taza de café con poesía



domingo, 14 de agosto de 2011

Benquerença



amanhã te encontrei assim:

deitado na cama, onde suspirou tua mãe

tu pensas no grande retorno do homem que nunca partiu...

enquanto a água escorre entre as telhas da memória

tu ouves o dilúvio de agora que varre as ausências...

ontem te direi assim:

sempre amastes a chuva com seus golpes sem condenação

e o telhado de nuvens que brinca com as luzes

sobre o policromático jardim que cultivastes...

esse silêncio é saudade, pessoas e coisas que jamais voltarão,

escorrem suas essências pelas ruas de pedra e o cheiro da terra volta à velha casa

onde vive a lembrança do menino que caminhava

livre, com pés descalços

e nos sonhos visitava

terras distantes sem fim?



Querencia



mañana te encontré así:

acostado en la cama, donde suspiró su madre

piensa en el gran regreso del hombre que nunca se fue...

mientras el agua escurre entre tejas de la memoria

oye el diluvio de ahora que barre las ausencias...


ayer te lo diré así:

siempre amaste la lluvia con sus golpes sin condena

y el tejado de nubes que juega con las luces

sobre el policromático jardín que cultivaste...

ese silencio es querencia, personas y cosas que no vuelven jamás,

escurren sus esencias por las calles de piedra y el olor de la tierra vuelve a la vieja casa

¿dónde vive el recuerdo del niño que caminaba

libre, con pies descalzos

y en sueños visitaba

tierras lejanas sin fin?