O que encontrar do outro lado da esquina... uma luz, um amor, um sonho, um silêncio, um verbo ou uma conjunção que conecte dois mundos?



sábado, 24 de setembro de 2011

Digressão



, corpo encolhido

tão frágil é tua liberdade
que poderíamos protegê-la
na tigela envelhecida
da mulher que pede

- uma esmola de palavras, pelo amor de…
do autor de nossas vidas,

(gagueja, as mãos suam)

os alto-falantes endeusam o poder
cujo Verbo é coberta para a armadilha,
onde a presa espera

com

paciência

o desfecho de um poema
chamado dignidade sem nome,


Digresión


, cuerpo acurrucado

tan frágil es tu libertad
que podríamos guarecerla
en el cuenco envejecido
de la mujer que pide

- una limosna de palabras, por el amor de…
del autor de nuestras vidas,

(tartamudea, le sudan las manos)

los altavoces deifican el poder
cuyo Verbo es cobija para el embudo,
donde la presa espera

con

paciencia

el desenlace de un poema
llamado dignidad sin nombre,



quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Simpatia é quase Amor

reflexos do carnaval de ilusões
desfile no asfalto quente
poças de miragens
mesclando fantasias da sociedade

os pés descalços
a pele se queima e descama
o ritmo de tambores e orquestra
vibra a fina linha que separa
o banquete da fome
a massa mascarada


sapatos lustrosos
pisam o cume da hierarquia
pobre poesia massacrada
de esquinas inebriadas
de álcool, amor e simpatia
cacos de felicidade que curam
a falta de tudo

confete serpentina cobrem
o lixo do luxo
máscara purpurina cobrem
os rostos e rastros da desigualdade
carnaval
requintada crueldade
bailam os corpos robustos raquíticos
no desfiladeiro
já é fevereiro

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Simpatía es casi Amor

reflejos
del carnaval de ilusiones
desfile en asfalto
caliente
charca de espejismos
mezclando disfrazes
de la sociedad


los pies desnudos
la piel se quema y descama
el ritmo de tambores y orquestas
vibra el fino hilo que separa
el banquete del hambre
la masa enmascarada

zapatos lustrosos
pisan la cima de la jerarquía
pobre poesía masacrada
de esquinas embriagadas
de alcohol, amor y simpatía
añicos de felicidad que curan
la falta de todo

confeti serpentina cubren
la basura del lujo
máscara purpurina cubren
los rostros rastros
de la desigualdad
carnaval
requintada crueldad
bailan los cuerpos
robustos raquíticos
en el desfiladero
ya es febrero

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Miragem



Na estação de um sonho, os trens chegavam e partiam. E os amores. O seu, ainda imóvel, lhe esperava. Uma pomba cruza as vias férreas. Tenha cuidado. A mulher vê a mulher que corre. Ela tem pressa. Tem um ar angustiado na boca, ar que estorva sua mala. Entra, se senta, olha pela janela. O que você vê? Através do vidro, por atrás da névoa do seu fôlego, emerge uma pomba e outro longo trem também espera, inerte.
Ela se intui, toca os joelhos pontiagudos, nus, dois punhais. Agora está em movimento, vê fugir do alcance de suas pupilas uma sucessão de janelas que passam, uma atrás da outra ; cheira em sequência a fumaça das idéias que passam, uma atrás da outra. Memória na fita. Ela pensa que já tinha visto aquela mulher que olha. Pensa que a mulher pensa que já falta menos para chegar ao seu destino. Olha para o lado direito. Equívoco! As pessoas continuam na plataforma da estação, em pé, esperando, não passam. Pausa. Do lado esquerdo, rítmo do pulso e o último vagão acaba de passar, em sentido contrário, cruzando a ponte entre seus olhos. a mulher que olha a mulher está sentada do seu lado, tem lágrimas com pressa, mas não sabe qual será seu próximo movimento. As mãos cobrem os joelhos, se ferem com punhais. A pomba se olha nas pupilas de ambas mulheres. Beleza calma. Está imóvel. Nao sabem que as três são uma em constante movimento. Elas têm pressa. Finalmente, a pomba alça vôo até o Sol.



domingo, 18 de setembro de 2011

Espejismo




En la estación de un sueño, los trenes llegaban y partían. Y los amores. El suyo, todavía inmóvil, le esperaba. Una paloma cruza las vías férreas. ¡Ten cuidado! La mujer ve la mujer que corre. Tiene prisa. Tiene un aire angustiado en la boca, aire que estorba su valija. Entra, se sienta, mira por la ventana. ¿Qué ves? A través del vidrio, detrás de la bruma de su aliento emerge una paloma y otro largo tren también espera, inerte.
Ella se intuye, se toca las rodillas puntiagudas, desnudas, dos puñales. Ahora está en movimiento, ve huir del alcance de sus pupilas una sucesión de ventanas que pasan, una trás otra ; huele en secuencia el humo de las ideas que pasan, una trás otra. Memoria en cinta.
Piensa que ya había visto aquella mujer que mira. Piensa que la mujer piensa que ya falta menos para llegar a su destino. Mira hacia el lado derecho. ¡Equívoco! La gente sigue en el andén, en pie, esperando, no pasan. Pausa. Del lado izquierdo, ritmo del pulso y el último vagón acaba de pasar, en sentido contrario, cruzando el puente entre sus ojos.
La mujer que mira la mujer está sentada a su lado, tiene lágrimas con prisa, pero no sabe cual será su próximo movimiento. Las manos cubren las rodillas, se hieren con puñales. La paloma se mira en las pupilas de ambas mujeres. Belleza calma. Está inmóvil. No saben que las tres son una en constante movimiento. Tienen prisa. Por fin, la paloma alza el vuelo hacia el Sol.



Nostalgia 6