O que encontrar do outro lado da esquina... uma luz, um amor, um sonho, um silêncio, um verbo ou uma conjunção que conecte dois mundos?



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Origami

dobra à esquerda, amor ou desamor!
dobra esquinas como se
dobrasse cartas vespertinas
"como sim querer-te?
como não dobrar-te?
tu partes, amante de papel"

fica com o silêncio, a calma
"tua ausência nos incensos de almíscar
a fumaça corta a luz corta a sombra"
encolhida no teto de uma alcova
apaga o cigarro, é noite escuridão
(cenário: ele, ela, eu)

toma um trago traga a ausência
lençóis de aroma de pele amada, esgotada
dobras de um vestido de seda
"dá ao tecido a nudez palpitante
da tua carne, cobre meu corpo
sim, se nos convém"
suave toque que dobra um dia
criando alvoradas com café amargo
(o amargo adoça o paladar)

dobra o orvalho sobre pétalas de olhos
lágrimas à flor de seus olhares
costumava dobrar o deserto do seu rosto
oferecendo-lhes diferentes máscaras
uma árvore, uma saudade, borboletas
aspiradas por narinas voadoras
"sempre, quase sempre me enlouquecem"
no chão os retratos
páginas em vermelho mosaico de lembranças
lenços de despedida em preto e branco
(dobra o caos berço do nada)

dobra caminhos encontrados
paralelas rasgando o infinito
dobra as horas e passa a sorte
dobra o equilíbrio embriagado dos seus passos
que fogem que voltam que tentam
matar-se mas não sabem mas não podem
"nos matam as palavras pouco a pouco"
(ama o azul, deitada em sua margem)

o álcool destilado em suores
em salivas que banham os orgasmos
dobras de lua cheia testemunha de quando
às vezes o coração se agachava
e se escondia no fundo do abandono
do amor e do desamor

tocam os sinos abre a porta
ele volta
fica!
"e tu me amas outra vez
caio na corda bamba entre teus lábios
fazem vibrar o mar nascente
para sempre tu és, entre minhas pernas"

seu corpo se desdobra
desemboca dentro de seu ventre
ele é dele, ela é dela
ambos são poesia prazer na fuga
dobravam sonhos com o vento
guardavam beijos de canela
debaixo do colchão de nuvens
cavalgavam caldas de cometa
"é que tu dobras minhas arestas
lambes e afilas meus agudos ângulos
um passarinho de papel em branco
encarcerado na destreza das tuas mãos"

brinca com suas asinhas de abutre livre
e escreve na sua pele seus contos matutinos
(aqui ficam com o amor e desamor
gostam de brincar de êxtase e de calma)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Origami

dobla a la izquierda, ¡amor o desamor!
dobla esquinas como si
doblara cartas vespertinas
"¿cómo sí quererte?
¿cómo no doblarte?
te vas, amante de papel"

se queda con el silencio, la calma
tu ausencia en inciensos de almíscar
el humo corta la luz corta la sombra"
acurrucada en el techo de una alcoba
apaga el cigarrillo, es noche oscuridad
(escenario: él, ella, yo)

toma un trago traga la ausencia
sábanas de aroma de piel amada, agotada
pliegues de un vestido de seda
"dále al tejido la desnudez palpitante
de tu carne, abriga mi cuerpo
sí, si nos conviene"
suave toque que doblaba un día
creando alboradas con café amargo
(el amargo endulza su paladar)

dobla el rocío sobre pétalos de ojos
lágrimas a flor de la mirada
solía doblar el desierto de su rostro
regalando diferentes máscaras
un árbol, un olvido, mariposas
aspiradas por narinas voladoras
"siempre, casi siempre me vuelven loca"
en el suelo los retratos
páginas en rojo mosaico de recuerdos
pañuelos de despedida en blanco y negro
(dobla el caos cuna de la nada)


pliega caminos encontrados
paralelas rasgando el infinito
pliega las horas y pasa la dicha
pliega el equilibrio embriagado de sus pasos
que huyen que vuelven que intentan
matarse pero no saben pero no pueden
"nos matan las palabras poco a poco"
(ama el azul, acostada en su orilla)


el alcohol destilado en sudores
en salivas que bañan los orgamos
pliegues de luna testigo de cuando
en cuando el corazón se acurrucaba
y se escondía en el fondo del abandono
del amor y del desamor

toca el timbre abre la puerta
él vuelve
¡quédate!
"y vuelves a amarme
me caigo en la cuerda floja entre tus labios
hacen vibrar al mar naciente
para siempre eres, entre mis piernas"

su cuerpo se desdobla
desemboca dentro de su vientre
él es suyo, ella es suya
ambos son poesía placer en fuga
plegaban sueños con el viento
guardaban besos de canela
debajo del colchón de nubes
cabalgaban colas de cometa
"es que me pliegas las aristas
lames y afilas mis agudos ángulos
una pajarita de papel en blanco
encarcelada en la destreza de tus manos"


juega con sus alitas de buitre libre
y escribe en su piel sus cuentos matutinos
(aquí se quedan con amor y desamor
les gusta jugar al éxtasis y a la calma)





segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Amuleto de Afrodite

Para pintar meus olhos
Com a cor dos teus sonhos
Que me fazem prisioneira

Para pintar as unhas
Com a cor do ocaso
Que queima a calma

Para pintar os lábios
Com a cor do orgasmo
Que flama as almas

Para pintar a pele
Com a cor da brisa
Que acaricia os montes

Para pintar o cabelo
Com a cor das flores
Com aroma de primavera

Para pintar as curvas
Com a cor dos caminhos
Onde se perdem tuas mãos

Para me pintar de Vênus
Com a cor da tua boca
Quando bebe da minha fonte

Para pintar as noites
Com a cor de amantes
Que se entregam à paixão

Para pintar pensamentos
Com a cor de palavras
Que umidecem teu sexo
E unem nossos corpos

Para pintar as horas
Com a cor dos teus beijos
Quando desponta a aurora
E amanheço em teu peito

Para pintar de tempo
Com a cor do amor
E para sempre te adorar:

fica por um instante
no teu silêncio
e na minha lembrança.