O que encontrar do outro lado da esquina... uma luz, um amor, um sonho, um silêncio, um verbo ou uma conjunção que conecte dois mundos?



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O Sorriso de Elena



Ele olhava o firmamento
Procurando em todas as estrelas distantes
O sorriso do seu pequeno príncipe 
Que só numa estrela habitava



Tu, enquanto dormes, sorris distante
Eu procuro em tuas pálpebras
Meio abertas meio fechadas
O silêncio das estrelas 
Que só habitam nos teus olhos


Somente eu posso escutar o silêncio do teu sorriso
A sinfonia de tua inocência que me transmite paz.



La Sonrisa de Elena

Él miraba el firmamento
buscando en todas las estrellas lejanas
la sonrisa de su principito
que sólo en una estrella habitaba

Tú, mientras duermes, sonríes lejana
yo busco en tus párpados
medio abiertos medio cerrados
el silencio de estrellas
que sólo habitan en tus ojitos

Sólo yo puedo escuchar el silencio de tu sonrisa
la sinfonía de tu inocencia que me regala paz.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Expedição ao Deserto



Abandonadas vidas secas
secam todas as quimeras
suas luas são negras
o dia as desespera

Dói sua alma partida
dói sua humanidade
esta verdade ignota
negra felicidade

Os donos da cidade
limpam ruas absurdas
papéis negros invisíveis
descartados no lixo

Expedição ao deserto
cruzeiro de mares negros
atravessam os umbrais
da esperança e do medo

Em cada grão de areia
florescem negros quebrantos
de corpos antepassados
chovem gotinhas de pranto

Uma canção serena partia
fundos silêncios de rochas frias:

"que adestrem as serpentes
de adormecidos ventres
negros bailes de vendavais
os levem a mananciais

miragem dos destinos
banquete de carnes e vinhos
oásis negro de sensações fatídica fé em ilusões"


Expedición al Desierto

"...a las personas que buscan mejores condiciones de vida y tropiezan con la muerte."

Abandonadas vidas secas
secan todas las quimeras
sus lunas son negras
el día les desespera

Les duele el alma rota
les duele la humanidad
esta verdad ignota
negra felicidad

Los dueños de la ciudad
limpian calles absurdas
papeles negros invisibles
tirados a la basura

Expedición al desierto
crucero de mares negros
atraviesan los umbrales
de la esperanza y del miedo

En cada grano de arena
florecen negros quebrantos
de cuerpos antepasados
llueve gotitas de llanto

Una canción serena partía
hondos silencios de rocas frías:

"que adiestren las serpientes
de adormecidos vientres
negros bailes de vendavales
les lleven a manantiales

espejismo de los destinos
banquete de carnes y vinos
oasis negro de sensaciones
fatídica fe en ilusiones"

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Dança na Corda Bamba

Talvez o soldado um dia
veja de novo a bailarina
com sua saia de filó branco
e as sapatilhas rasgadas
traspassando as trincheiras

Andava nas pontas dos pés
com passos longos e leves
como se tivesse pressa
como se fosse uma pluma
intocável na fronteira

O tempo, sem compromisso
caminhava bem devagar
não conseguia acompanhar
seus saltos sempre distantes
que se esquivavam da morte

Com o guarda-chuva em riste
Sob a chuva de chumbo
encontrava o equilíbrio
sobre as pedras do rio
sem nunca mudar seu curso

O soldado que dirige
uma orquestra de fusis
na sua mente anoitecida
almejava os tambores
do silêncio da aurora

A fragilidade serena 
de um corpo de bailarina





segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Danza en la Cuerda Floja

Quizás el soldado un día
vuelva a ver la bailarina
con su falda de tul blanco
y las zapatillas rotas
traspasando las trincheras

Solía andar de puntillas
con pasos largos y leves
como si tuviera prisa
como si fuera una pluma
intangible en la frontera

El tiempo, sin compromiso,
caminaba muy despacio
no lograba acompañar
sus saltos siempre distantes
que esquivaban la muerte

Con el paraguas en ristre
bajo una lluvia de plomo
encontraba el equilibrio
sobre las piedras del río
sin jamás cambiar su curso

El soldado que dirige
una orquesta de fusiles
en la mente anochecida
anhelaba los tambores
del silencio de la aurora

la fragilidad serena
de un cuerpo de bailarina.