O que encontrar do outro lado da esquina... uma luz, um amor, um sonho, um silêncio, um verbo ou uma conjunção que conecte dois mundos?



quinta-feira, 28 de maio de 2015

A Flor que amava Bukowski



Andei muitas veredas
subi e desci escarpas
procurei-me nas estrelas
varri as minhas pegadas.

deitei-me nas alvoradas
quando a lua se escondia
atrás das reminiscências
de uma longa madrugada.

corri atrás do destino
contra os ponteiros do relógio
como quem foge do medo
da fome e do dissabor,

como quem esquece o tempo
numa promessa de amor.

nasceu a flor no asfalto!
desabrochou nas esquinas...

onde olhares se cruzavam
em ardentes lamparinas.

a noite era um manto suave
um cão que vaga, sem dono
suave o desejo de ser
pesava sobre o abandono.

e nos meandros do prazer
a transpiração dos sexos
fez deslizar o corpo
as palmas das mãos  nos ombros.

muito dentro do refúgio
se alojava um peregrino
um ingênuo ou um astuto
que me pagou pelo gozo
de sua nobre salvação

de sua ejaculação.

e fumava um clandestino
tragando devagarzinho
o simulacro da paixão.




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