O que encontrar do outro lado da esquina... uma luz, um amor, um sonho, um silêncio, um verbo ou uma conjunção que conecte dois mundos?



terça-feira, 10 de março de 2015

A Rotina e um Amor


(...)
"As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não."

"Arte de Amar" , Manuel Bandeira


Tu estiveste nas palavras
que chegaram devagar
de um lugar desconhecido,
e encontraram seu refúgio
em um papel em branco
que almejava ser lido.
Tão perfeita e abstrata
em teu vestido de sonhos,
me levaste pela mão
ao paraíso distante.

Tu estiveste em minhas vigílias,
altiva, com os passos firmes
e lampejos de memória.
Beleza dissimulada
com um véu de mistério,
o cheiro de tuas pegadas
acendia meus instintos

invocava à paixao.


Fui guardião do templo
erigido entre tuas coxas,
bebi sedosos segredos
do cântaro do teu ventre
que em espasmos se abria
e devorava minha boca.
Fui teu escravo e senhor
de tantas noites de amor
contigo em minha solidão.

Em meu leito, à meia luz
como fera encurralada
diante de um abismo,
te olhaste nas pupilas,
que despem a tua alma.
À beira da entrega,
o amor pede resgate,
teu abandono revelado
arrebata meu desejo.
Eu me oculto entre teus seios
espalhando as carícias
com as pontas dos meus dedos.

E quando desperte a aurora,
olhem-nos pela janela!
Vou escalar teus montes,
rastejar como a serpente,
enroscar-me em tua cintura
deitar-me sobre teus prados.
Meu prazer aprisionado,
liberta o membro que cresce,
com gotas de puro gozo
sobre a pele que amanhece.
Me derramo em teu corpo
prostrado, apaixonado.
Sussurras em meu ouvido:
nao foder-te é um pecado.
Em silêncio me repito:
amar-te está proibido.
Porém já é muito tarde...


Vou me deitar agora,

me levanto às cinco

sem desjejum na cama.





domingo, 8 de março de 2015

La Rutina y un Amor



(...)
"Las almas son incomunicables.
Deja a tu cuerpo entenderse con otro cuerpo.
Porque los cuerpos se entienden, pero las almas no."

"Arte de Amar",  Manuel Bandeira



Estuviste en las palabras
que llegaron muy despacio
de un lugar desconocido,
y encontraron su refugio
en el blanco del papel
que anhelaba ser leído.
Tan perfecta y abstrata
en tu vestido de sueños
me llevaste de la mano
al paraiso lejano.


Estuviste en mis vigilias,
altiva, con los pasos firmes
y destellos de memoria.
Belleza disimulada
con un velo de misterio,
el aroma de tus huellas
encendía mis instintos,

invocaba a la pasión.


Fui guardián del templo
erigido entre tus muslos,
bebí sedosos secretos
del cántaro de tu vientre,
que en espasmos se abría
y devoraba mi boca.
Fui tu esclavo y señor
de tantas noches de amor
contigo en mi soledad.


En mi lecho, a media luz,
como fiera acorralada
delante de un abismo,
te miraste en las pupilas
que te desnudan el alma.
Al borde de la entrega,
el amor pide rescate,
tu abandono desvelado
arrebata mi deseo.
Yo me oculto en tus rincones,
esparciendo las caricias
con las yemas de mis dedos.


Y cuando despierte el alba,
miradnos por la ventana!
Voy a trepar por tus montes
como serpiente rastrera
enroscarme a tu cintura,
acostarme en tu pradera.
Mi placer encarcelado
liberta el miembro que crece,
con gotas de puro gozo
sobre la piel que amanece.
Me derramo en tu cuerpo,
postrado, enamorado.
Me susurras al oído:
no follarte es un pecado.
En silencio me repito:
amarte está prohibido.
Pero ya es muy tarde...

me voy a dormir ahora,

me levanto a las cinco

sin desayuno en la cama.





Ali na Esquina 4